segunda-feira, 25 de dezembro de 2023

Cigana


Andar nas trilhas
Colher flores do campo
juro!
Queria novamente correr por lá.
Sentir o vento batendo em meu rosto
Ser menina feito moça
E encantada com a vida tecer amores.

Mas o tempo não para e parar pra pensar
Nem pensar.
Ficou distante esse tempo.
Um ano a mais e muitos outros ficaram para trás.

Tropeço nas peças que a vida me trouxe.
Juro!
Queria que o tempo voltasse
E que de novo encontrasse
aquela menina de sonho encantado
de cabelos encaracolados
com cheiro de relva
e poeira nos pés.

Ao olhar para o céu
sinto um pouquinho de medo do tempo que me resta a percorrer
Mas tudo hoje é tão rápido se não prestar atenção, não sentirei a chegada.
ou já cheguei?

Lili Ribeiro

sábado, 6 de fevereiro de 2016

cintilantes


cintilantes





feito nuvens


sobrepõem meus dias


antes alegres, agora tristes.


fadas passeiam nuas pelos ventos e colhem centenas de estrelas


que fatiadas cintilam a vida.


paradoxal


entre a nuvem e o sol


há neve.






pulverizado de cristais


passeiam lentamente num espaço negro


túneis, vidas escuras


viajando para sempre entre as tempestades celestiais


eu


fada feito bruxa


vislumbro um dia atemporal


em noites tingidas de cinzas em nuances


e nas manhãs


pardais invadem o céu






trazendo esperança em seu canto triste


é assim, de onde nada espero


brota vida e esconde a dor.


Lili Ribeiro Leão.


27/02/2012




segunda-feira, 5 de maio de 2014

Ás águas


                                                            Águas

As águas correm rio abaixo suavemente

Levando uma linda canção

Com o cheiro agradável

Das ervas que margeiam seu leito

À brisa envolve toda a relva

E por entre as ramagens passa um fino raio de sol

Que num mergulho invasor

Penetra no oculto do seu fluir

Acordando as delicadas criaturas

E colorindo os pequenos seres viventes

Daquele lugar

O som do silêncio se confunde

Com a calmaria que envolve aquela terra.

Terra e água,

Que vida tem e que vida dá.

Sem a água não há vida

Não há terra;

E não haverá história pra contar.

 

                            Lili Ribeiro        

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

jóia do tempo


Joia do tempo

 
 
 
Nascemos cobertos de carinhos e logo estamos sozinhos.

Mas, aos poucos encontramos vidas que se somam as nossas vida.

Andamos por muitos lugares

Passamos por várias pontes que nos ligam e nos afastam.

 

Atravessamos mares, encontramos amores, ou até mesmo, o amor.

Alguém para multiplicar e receber o que conquistamos

Somos assim, seres crescentes, virtuosos e carentes.

 

Cruzamos o céu, escalamos montanhas... E quantas montanhas!!!

Mass à vida, é assim mesmo

Sempre nos trazendo surpresas, horas boas, horas más.

Mas, pouco a pouco nos afastamos do nosso lugar de origem

e começamos a somar lembranças.

Lacunas que nos deixam; os nossos entes...!

 

Então conhecemos à despedida, e as lágrimas banham os nossos olhos.

Com força que arrancamos de dentro de nós

de onde nem sabíamos que existiam.

Lutamos contra a dor, até vencê-la.

 

E saímos, casamos, construímos, separamos, recasamos...

tantas alegrias e também, tantos desencontros.

Mas nos vem à esperança novamente, quando eles chegam.

Os nossos netos, que benção!

Parece que à vida toma novo rumo e ganhamos novas forças.


 

Então, é hora de procurarmos os amigos.

Mas, onde eles estão?

Passamos tanto tempo ocupados com nossas vidas e nem notamos

Que muitos deles também se foram.

Sabíamos sim, que eles estavam indo, mas sempre tínhamos algo a fazer

E mal fazíamos pequenas visitas.

 

Que pena! O tempo passou tão depressa...

Já não encontramos nossos amigos.

Muitos moram com os filhos

Outros mudaram de cidade ou até mesmo de país.

 

E aquela música que tanto ouvíamos na adolescência?

Tornou-se brega demais e só a ouvimos baixinho.

Nosso vizinho é muito jovem e não entenderia...

Como alguém pode ainda gostar de ouvir isso?

O jornal, a TV, tudo é tão diferente...

 

Hoje quero sair sozinha, vou ao jardim e depois caminhar rumo ao horizonte

Quero olhar para o céu visitar as estrelas e se possível colher uma delas

Ofertá-la a mim mesma, pois sou jóia do tempo

Enriquecida de amor e saudade
E com tudo, não embruteci.

 

Lili Ribeiro-13-07-2011

segunda-feira, 23 de julho de 2012


Conversa de amigas

Ela chegou de mansinho e disse -vamos amassar?

-E eu respondi - vamos sim.

-Então vamos para a cama?

-Claro, me da um abraço

E juntas rolamos para todos os lados da cama e depois cansadas ficamos abraçadas por algum tempo. Logo depois o silêncio foi rompido com aquela voz suave.

-Eu estava com muitas saudades de você.

-Eu também estava, aliás, acho você vem pouco aqui.

-Eu gosto muito dessa casa e de você também. Sabe o que eu tava pensando?

-Não. Conta pra mim.

-É que o Gabriel já é pré- adolescente, eu sou criança e a Camila ainda é um bebê.

-E então...

-O Gabriel, logo vai ser adolescente e eu vou ser pré-adolescente e a Camila vai estar grandinha.

  isso mesmo, as crianças tem que crescer.

-Mas, depois, Gabriel  vai ser jovem e eu adolescente e a Camila pé-adolescente.

É verdade. E eu?

-Você vai ficar velhinha e depois vai pro céu.  Mas vovó, quando você for pro céu, vai de calça jeans, porque eu vou fazer um bilhete e colocar no seu bolso pra você nunca esquecer de mim.

Eu escondi a lágrima que brotou em meus olhos e com a voz um tanto embargada disse: Eu não sei quem vai me vestir para eu ir para o céu e talvez não me vistam numa calça jeans, mas isso não é problema, se eu não estiver vestida num jeans, você coloca o bilhete na minha mão e se você esquecer de colocar o bilhete na minha mão, não faz mal, de qualquer forma eu jamais esquecerei de você.

-Ta bom vovó.

Ficamos abraçadas por mais alguns minutos e depois ela adormeceu tranquila.

Lili Ribeiro Leão

  28/04/20012


quinta-feira, 20 de novembro de 2008


Meu porto

Deixa que eu pouse
Em seus ombros
Pois sou andorinha
Perdida do bando

Deixa que eu navegue
Em teus mares
Pois sou fragata
Sem capitão

Deixa que o tempo passe
E que eu fique assim...
-ao teu lado-
Sussurre em meus ouvidos
Palavras jamais destiladas

Deixa que eu sonhe
Os seus sonhos
Deixa que me ancore
Em seu porto.

Canta-me a musica dos deuses
ou
A valsa dos amores.

Deixa que eu dance
Em seus campos
Feito folha solta
Que baila
Levada pelo vento.

Serei para ti
Bailarina.

Que quão bela dançarei
A valsa do cisne branco
E a valsa do cisne negro
Dar-te-ei morada
Em meu coração

Onde habitas há muito e não sabes...

Lili Ribeiro






quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Ao cair da tarde


Segredos

Ao cair da tarde
vem às tristezas e saudades.
Lembro-me dos dias felizes.
Iguais aqueles
Só mesmo em meus pensamentos tive.

Belas manhãs de outono
-tivemos-

Caminhos percorridos por intensa magia.
Um sonho
uma dor
e o amor
nascendo entre nós dois.

Os pequenos seres daquele lago
Agitavam-se.
Parecia fazer fita só pra nós.

E na cachoeira
água fresca descia daquela mata.
Refrescava os nossos corpos
com gotas que trazidas pelo vento
se faziam em brisas e notas soltas pelo ar.

No sussurrar das águas
musicalidade ímpar a nos encantar.

Tremores nas mãos
tropeços nos pés.
E no entrelaçar das nossas línguas
-beijos que ardiam-

deixavam nossos corpos
implorando um ao outro.
Desejo pleno
e mãos que passeavam por todo meu corpo
sem pedir licença.

Por testemunhas
O silencio
e o um sutil raio de sol
que atravessava as ramagens
e os fortes galhos
das grandes árvores.
A nos sondar.

Lili Ribeiro