sexta-feira, 24 de julho de 2026

eu


ilusão


A Mais Pura Ilusão

Semeada ao chão socado, cansado e infértil.
Qual pedra no meio do oceano
Que dura permanece inerte
Mesmo assim 

 Recebe a maresia fresca.
Que vem do mar.
Tal qual é o amor que tenho por ti
Que jorra frescor em brisas

Acariciando o seu coração
Com as mais macias mãos
Feito plumas ao vento
Pois tu não as vês nem as sente

Pobre de ti
Que ao acaso se derrama feito sombra em minha vida
Pois não o terei mais como coisa real ou irreal
Jamais voltarei a vê-lo como coisa alguma

Quanto mais merecedor do amor
Que farto te dou.
Ignoras um sonho
Imprudente criança

Ao acordares não estarei mais em seu mundo.
E enlutado chorarás
A perda irreparável do ser que te ama
E soma-te a tudo que é belo

Mas, hoje chegou a tua hora final
Tarde demais
As pedras não amam
Não sofrem não tem sede nem fome

Afogadas ao mar
Aniquiladas ao sol
Não me importo em que estado estarás
Dentro em pouco
Sinto,

Me liberto de ti.

Lili Ribeiro

tarde ocre



Tarde Ocre

Aqui hoje está um tanto nostálgico.

Caiu uma bela chuva, a tarde está ocre

e eu estou ouvindo a grande música,

sonata ao luar.
As flores agradecem aos céus
Pela fresca chuva que as banhou!
Tenho ao longe
Um pôr- do- sol meio alaranjado
Que parece ainda molhado
Pela chuva que caiu!
Um sol meio fosco
Ainda sem jeito
Parecendo ter preguiça para acontecer
Da minha janela contemplo e vejo
Bucólicas árvores a sorrir
Ainda fresquinhas pelas gotas de chuva
Que nelas caíram!
Mais uma vez um milagre aconteceu
Nesses tempos de guerra
A paz aqui
Ainda posso ver
Nostálgica tarde, porém feliz.
Posso ainda pensar em uma noite de sono tranqüilo!
A felicidade ainda mora aqui!


Lili Ribeiro






segunda-feira, 25 de dezembro de 2023

Anna Beatriz

Anna Beatriz

A namoradinha da família
Nana neném a todo instante
Nascida nesta casa
A nossa vida encantou

Belíssima,
E charmosinha
Aninha
Toda é prosa
Risonha e rosinha
Inquieta e gulosinha
Zangadinha, mas gostosinha!

Lili Ribeiro

05/06/06

Análise





Já não somos mais crianças


e a inocência não nos acompanha.


Labirintos obscuros e tramas.


Ainda nos perseguem.



Das brincadeiras de crianças


Restam poucas lembranças.


Tranças, bonecas, as bolinhas de gudes...


Goma de mascar, bala Juquinha...


Juro! Queria que o tempo voltasse.



E o que tenho?


O que aprendi com o futuro já vivido?


Não sei. Não sei!



Os dias continuam passando


E com o tempo


Somo as horas mortas que não voltam.



Penso, repenso e nada!


Nada de novo se apresenta.



Ansiedade me vem.


afasto-me da vida


mas ela chega-me em breves lembranças


Enfumaçadas nuances...



O tempo. Senhor da razão.


Será?


“Alzheimer” um vazio...


A solidão...


que segue apagando a


-vida-


E do passado


Certo ou errado.


Quem se importa?


A ninguém interessa.



A felicidade


Hoje é só um engano.


Dela, nem saudade.



Lili Ribeiro






A Vida em Preto e Branco

Todo dia acontece sempre igual: não tem magia, não tem sonhos, apenas o amanhecer e um dia inteiro pra sofrer, chorar, chorar e calar.
De um lado a outro, pedindo, andando, sentando, levantando e chorando. - Não. Hoje não. Não tenho!
E um outro, nem resposta. Desviam seus olhos e atravessam a rua, mas lá também tem outro. Desviam-se, passam bem longe.
De algum lugar alguém os observa com olhos de ambição, tomando deles o que não conseguiram 
- Pega essa criança, vai pra outra esquina. A resposta é vazia:
- Mas, lá já estive e nada consegui! E novamente a ordem:
- Volta, você tem que conseguir! 
Com uma camiseta furada e chinelos gastos, arrasta uma criança despenteada pela mão. Mão da mãe que mora nas ruas e não pode dar-lhe nem o pão.
“Mãe e filhas são conduzidas por um inescrupuloso homem que as leva de um lado á outro e ao findar o dia, tira quase tudo do quase nada que elas ganharam”.
Mais uma vez à noite chega. Por companhia, apenas seus anêmicos vizinhos, que juntos, moram sozinhos a margem da estrada. Dormem ao relento fazendo dos jornais, seus lençóis; embriagados, até os pequenos. E a cola é pouca pra tantos que a cheiram, embriagam seus cérebros pra não sentirem fome nem o frio que os consomem.
Pra não dizer que tudo é tristeza, pode-se acordar mais cedo ou não dormir. podem ver a aurora surgir. Trazendo a cada dia um espetáculo novo quase sempre carminado nas ruas mortas das grandes cidades.
Mais um dia começa, e com ele começa também a corrida da fome e a luta pelo ópio pra entorpecer à mente e morrer lentamente.
A única vantagem que eles têm é ver um pôr- do- sol diferente a cada entardecer e o raiar de um novo dia, contemplado assim o amanhecer, sempre pela aurora que os visita.
Mas, de que adianta?
Eles não sabem fazer poesia!

Lili Ribeiro

Cigana


Andar nas trilhas
Colher flores do campo
juro!
Queria novamente correr por lá.
Sentir o vento batendo em meu rosto
Ser menina feito moça
E encantada com a vida tecer amores.

Mas o tempo não para e parar pra pensar
Nem pensar.
Ficou distante esse tempo.
Um ano a mais e muitos outros ficaram para trás.

Tropeço nas peças que a vida me trouxe.
Juro!
Queria que o tempo voltasse
E que de novo encontrasse
aquela menina de sonho encantado
de cabelos encaracolados
com cheiro de relva
e poeira nos pés.

Ao olhar para o céu
sinto um pouquinho de medo do tempo que me resta a percorrer
Mas tudo hoje é tão rápido se não prestar atenção, não sentirei a chegada.
ou já cheguei?

Lili Ribeiro