domingo, 30 de dezembro de 2007




A Vida em Preto e Branco

Todo dia acontece sempre igual: não tem magia, não tem sonhos, apenas o amanhecer e um dia inteiro pra sofrer, chorar, chorar e calar.
De um lado a outro, pedindo, andando, sentando, levantando e chorando. - Não. Hoje não. Não tenho!
E um outro, nem resposta. Desviam seus olhos e atravessam a rua, mas lá também tem outro. Desviam-se, passam bem longe.
De algum lugar alguém os observa com olhos de ambição, tomando deles o que não conseguiram:- Pega essa criança, vai pra outra esquina. A resposta é vazia:- Mas lá já estive e nada consegui! E novamente a ordem:- Volta, você tem que conseguir! Com uma camiseta furada e chinelos gastos, arrasta uma criança despenteada pela mão. Mão da mãe que mora nas ruas e não pode dar-lhe nem o pão.
“Mãe e filhas são conduzidas por um inescrupuloso homem que as leva de um lado a outro e ao findar o dia, tira quase tudo do quase nada que elas ganharam”.
Mais uma vez a noite chega. Por companhia, apenas seus anêmicos vizinhos, que juntos moram sozinhos a margem da vida. Dormem ao relento fazendo dos jornais seus lençóis; embriagados, até os pequenos. E a cola é pouca pra tantos que a cheiram, embriagam seus cérebros pra não sentir fome nem o frio que os consome.
Pra não dizer que tudo é tristeza, pode-se acordar mais cedo ou não dormir, pra ver a aurora surgir. Trazendo a cada dia um espetáculo novo quase sempre carminado nas ruas mortas das grandes cidades.
Mais um dia começa, e com ele começa também a corrida da fome e a luta pelo ópio pra entorpecer a mente e morrer lentamente.
A única vantagem que eles têm é ver um pôr- do- sol diferente a cada entardecer e o raiar de um novo dia, contemplado assim o amanhecer, sempre pela aurora que os visita.
Mas, de que adianta?
Eles não sabem fazer poesia!

Lili Ribeiro

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007


As Evas

Hoje me sinto um pouco Eva
Despida de tudo
Dos preconceitos, das virtudes,
Um tanto perdida!
Um paraíso, um manancial e rochas.
As folhas, pra quê?
Não sei por onde ele anda.
O tal, Adão.
Que papel ele tem nessa história?
Qual é o lugar que ele ocupa?
Sinto-me nua e vestida.
Nua de esperança no ser humano
Vestida de medo deles.
Arrastando-me pelo jardim
E encolhendo a mão, pra não colher o fruto.
Que ele me oferece.
Beijo as pedras para não tocá-lo.
Salivando a sede de amar
Bebendo o néctar amargo em taça de ouro branco
O veneno oferecido aos anjos
Mas onde está ele para tirar-me a taça?
Antes fingira para não ver o mensageiro
E ocultou-se atrás dos montes
E olha de longe a toca do lobo
Que o afugenta.
E eu Eva, paro, olho e vejo.
Tudo é só um deserto.
Coberto por um negro céu.
Prenúncio de uma tempestade
Com chuvas fortes e ventania.
Pra levar as folhas secas das árvores.
Que aqui outrora viviam.
Quantas de nós, pobres Evas perdidas.
Por eles esquecidas.
Evas, Cains, Abéis, todos presos na torre de Babel.
Num soneto angelical, pedimos a Deus.
Que nos mande um tempo novo,
Que leve daqui o lobo.
E faça acontecer em dobro.
A paz dos édens esquecidos.
Por eles que são maridos autônomos e livres.
Por tantos pássaros admirados!-
Deixando pelos cantos, as tantas Evas.
Sofridas e caladas.
Por ele a escolhida e rejeitada.
As Evas nuas ainda hoje.
A mulher despida,
A escolhida e ignorada.
Lili Ribeiro

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007



Alagados

Alagados, moradores beira rios.
Todos sonham com o dia
Que não precisarão ficar ali
Pedras, porcos e ratos, entram casa adentro.
E ela sobe aos poucos, ou bem depressa.
Disso depende o tempo e o volume das águas.
Sempre!
O céu cinzento traz novo desalento
A essa gente que vê suas vidas transformadas num momento
Parece absurdo, mas uma tempestade vem e outra também.
Não há invento nem tempo
Que apresente algo novo a esse povo
Que sofre as amarguras e os desalentos
De perder seus bens e seus entes
Que antes eram
Gente!
E hoje, muitos deles, já não têm nem mais identidade.
Um povo que supera a cada dia
Suas mazelas, num desespero inerente.
E a busca constante de sobreviver aos ataques
Que a vida os obriga a enfrentar
A cada dia,
Que se passa as margens dos rios, e da sociedade.
Mais uma eleição vem e com ela é servida mais uma porção de ilusão
De não mais passar fome e nem sofrer com tantas doenças
Inocentes, acreditam no novo tempo.
E entregam a sua única força ao mais vil vilão.
Seu voto inocente, até mesmo,
Por alguns dentes.
Mas é somente por poucos dias e logo a esperança se vai.
Nas novas torrentes que os assombra novamente.
Nada muda, mais um político se elege.
E nada de novo realmente acontece.

Lili Ribeiro


Os fedaputas

Estava chegando a minha casa por volta das vinte e duas horas, a rua estava, como sempre, bem movimentada e eu muito apressada.
Enquanto procurava pela chave em minha bolsa observava com certa atenção a três crianças bem carentes que moram, praticamente, na rua. Eram dois meninos e uma menina, ela parecia ainda não ter completado os quatro anos de idade, os meninos aparentavam ter de seis a sete anos aproximadamente. Eles arrastavam a menina pela rua, enquanto ela chorava e falava:- Fedaputa, me solta! E quanto mais eles a arrastavam, mais ela reclamava. Não pude conter-me e comovida, tentei um diálogo com eles e disse:- Faz isso com ela não, ela é tão linda! Nesse mesmo instante eles a soltaram, mas ela insistiu chorando alto e gritando:- Fedaputa, fedaputa!
Foi ai que me aproximei e disse a ela:- Fala assim não, você é tão bonita! Ela gritava comigo e dizia:- Mas você é feia, você é feia! E eu disse:- Eu sei que sou feia, mas e daí? Você é linda, muito bonita mesmo!
Ainda com seu rostinho coberto por lágrimas ela sorriu meio sem jeito e perguntou:- Eu sou? E continuei falando:- Claro que é. Você é muito bonita mesmo! Ela respirou fundo. Fez um olhar de menina dengosa e disse:- É eu sou bonita! Os meninos continuavam ali parados olhando o desfecho da história e vendo-a sorrir, sorriram dócilmente. Ela saiu meio faceira falando baixinho:- Eu sou bonita! Eu sou bonita! E eles foram embora com ela já bem mais calmos. Senti meu coração um pouco mais leve, mas deu um nó na garganta e muita vontade de levá-la pra casa. Já havia esquecido a tal pressa e fiquei a olhar a rua. Lembrei de uma menina que há alguns anos passados estava sentada na porta de um bar com suas duas irmãs, já se aproximava da meia noite e era natal.
Seus olhos perdiam-se no céu olhando os fogos, pois eles eram de graça e também era apenas o que elas tinham de natal. Hoje a mais velha delas trabalha numa casa de prostituição já faz algum tempo. Á ceia de natal que levei pra elas naquela noite, não foi o bastante, eu poderia ter feito mais e não fiz. Neste momento estou pensando em fazer alguma coisa pela menina linda de hoje, mas ainda não sei o que farei. De uma coisa tenho certeza, não posso esperar muito. Elas crescem depressa demais e sempre haverá uma vaga nessas casas e pessoas dispostas a pagar barato por serviços tão difíceis.

“E pensar que sou obrigada a votar nesses fedaputas.”

Lili ribeiro


Hora de partir

Não suporto mais ferir-te
Nem a ti nem a mim
Essa indecisão
Não saber se irás ou não.

É sua, é minha a
Imprudência.
Pobre de nós que sabemos,
E não queremos;
Tomar a decisão.

Vidas que não voltam
Paradas e perdidas.
Num conflito e inércia,
Pra não sofrer.

Adiamos a hora final.
Eis aí a questão,
Deixar-te ou não.
Por que sofrer por ti?

Sei
Que perder-te é ganhar-me
Para que eu me veja.
Pois não mais sou eu mesma.
Tu dizes que és, mas não és.

Triste é a espera da partida
A minha ou a sua
Não sei.
Já não somos nós.

Por que juntos, já não somos um.
E os dias passam, viram semanas.
Elas viram meses, e eles,
Viram anos

E nós aqui estamos ainda pensando.
Se iremos ou não
Sabemos que um dia diremos adeus

Um adeus que já foi dito antes,
Bem antes dos anos,
Que continuam se passando.

Lili Ribeiro

A Mais Pura Ilusão

A mais pura ilusão semeada ao chão.
Um chão socado, cansado e infértil.
Qual pedra no meio do oceano
Que dura permanece inerte,

Mas recebe a maresia fresca.
Que vem do mar.
Tal qual é o amor que tenho por ti
Que jorra frescor em brisas

Acariciando o seu coração
Com as mais macias mãos
Feito plumas ao vento
Pois tu não as vês nem as sente

Pobre de ti
Que ao acaso se derrama feito sombra em minha vida
Pois não o terei mais como coisa real ou irreal
Jamais voltarei a vê-lo como coisa alguma

Quanto mais merecedor do amor
Que farto te dou
Ignoras um sonho.
Imprudente criança

Ao acordares não estarei mais em seu mundo.
E enlutado chorarás
A perda irreparável do ser que te ama
E soma-te a tudo que é belo

Mas hoje chegou a tua hora final
Tarde demais
As pedras não amam
Não sofrem não tem sede nem fome

Afogadas ao mar
Aniquiladas ao sol
Não me importo em que estado estarás
Dentro em pouco
Sinto,

Me liberto de ti.

Lili Ribeiro

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007





Negra Forte

Numa noite fria de inverno cortante
Em uma tapera deserta.
Com ventos de todos os lados
Invadindo todas as frestas, o frio cortava.
A pele negra da jovem solitária
Que tirou a talha do chão e a colocou sobre a mesa
Encheu a caneca de barro com água e bebeu.
Seu corpo franzino estava frágil.
Depois de mais um dia de muito trabalho
Sentou na cadeira de palha e sonhou
Com o dia que não mais seria preciso tanto trabalhar
Com o dia que seu trabalho enfim seria reconhecido
E não mais explorado por pessoas
Que a tinham como objeto de uso pessoal.
A noite era fria,
Mas era sua, para o seu descanso e repouso.
Até que surgisse o sol para acordá-la,
Pra ordenhar as vacas
E levar o leite fresco para sustentar os filhos de seu senhor e sua Ama;
Para que crescessem sadios e imponentes
E fossem também, Senhores de seus escravos na terra de um povo;
Que ainda sonhava com a liberdade!

Lili Ribeiro
31/05/07

domingo, 2 de dezembro de 2007




FUGA

Depois da chuva, o sol desponta no horizonte.
A calmaria de uma tímida manhã
É interrompida por tiros ensurdecedores,
Disparados por alguns homens
De dentro de um carro,
Que passou em alta velocidade.
Pânico a seguir de fuga;
Encostando-me em um muro, ando apressada,
Tentando não ser vista.
De repente a calçada parece menor
Sinto-me espremida pelos muros
Ando rápido sem olhar para trás;
A rua se fecha em túnel.
Parece não haver saída
Olhando para o alto tento ver o céu,
Mas que céu? Não há céu!
Vejo apenas uma cavidade escura
Coberta por um manto negro
E sem opção me envolvo neste manto
Tentado me esconder
Mas me esconder de que?
Se nem os tiros ouço mais.
E como se mágica fosse
O manto negro se abre
E me vejo em meio a um fio de claridade
Num instante um pesadelo
Que em sonho se transforma
E parece real.
Uma nova terra surge
Uma densa floresta em meio á montanha,
Posso ver e sentir o cheiro da terra úmida
Pela chuva mansa que cai suavemente;
Levo meu olhar ao longe
Mas pouco posso ver
Pois as árvores
Começam a se esconder
Na bruma que se aproxima.
Ando nas trilhas encontradas
Que não me levam a lugar algum
E cansada me ponho a reclamar.
Depois de muito andar cheguei a uma casa
Que mais parecia ter saído
De um conto de fadas
Tão acolhedora e quente
Com móveis antigos e mesa de cristal
E ando por toda casa, procurando à saída.
E ainda sem paciência
Continuo a reclamar.
Uma voz mansa me chama;
Parecendo fada de tão bonita a senhora
Com um gesto feito
Com indicador na frente da boca
Pede para eu me calar
Oferece-me bolinhos de arroz
E caminha ao meu lado em silêncio.
Já não reclamo nem murmuro,
Apenas ouço o silêncio daquele lugar;
E cansada de procurar a saída
Eis que surge um senhor
De barba e cabelos brancos;
E mais calma posso admirar
O sorriso doce de um ancião,
Que calmamente estende-me a mão,
Anunciando à saída.
E logo vejo a minha frente
Uma porta frágil
Com vidraças limpas
Generosamente aberta.
A bruma continua
Mas já posso ver à saída
E num sonho perfumado
Subo a montanha;
Do alto,
Avisto o mar, a cidade ao longe,
Ainda sigo a trilha,
Agora coberta
Por pétalas de rosas vermelhas
Ainda não está bem claro
Não vejo o mar tão azul
Mas no horizonte já está brotando o sol
E logo um arco-íris começa a surgir.

Lili Ribeiro

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

Mulher de Fases



Mulher de Fases

Eu sou como a lua
Uma mulher de fases.
Hoje ainda sou nova
Mas muitas vezes me sinto minguante
Muito embora seja crescente
Amanhã eu estarei com certeza
Cheia de amor
E de sentimentos bons
Vou em frente
Sempre em quarto crescente.

Lili Ribeiro
06/08/07

quarta-feira, 7 de novembro de 2007


despedida

Estou te deixando agora
Por raiva, ironia, medo ou solidão;
Mas estou te deixando.
Deixo para traz
Restos, buracos, trapos,
Farrapos de ilusões.
Levo comigo
Pedaços, laços partidos.
E sonhos
Os deixo jogados ao chão.
Porções, de ilusão.
Condição, nenhuma
Decisão acertada
Frustrações de montão.
Estou te deixando agora
Esta é a decisão,
Cansei de ser só
Estando ao seu lado.
Cansei de ser nada;
Nada pra você,
Indo ao seu encontro
Eu, indo para o nada.
Estou te deixando agora
Neste momento me desligo de ti,
De um passado que já não mais existe.
Estou te deixando agora
E indo ao meu encontro.

Lili Ribeiro

terça-feira, 6 de novembro de 2007

Despedida


Despedida

Abri o armário, tirei minhas roupas e as coloquei na mala.
Depois sentei e chorei
Dói a partida, mas sei que doerá ainda mais.
Se eu desistir.

Lili Ribeiro

Sonho da Minha Alma


SONHO DA MINHA ALMA

Sinto minha alma tranqüila;
Como se flutuasse em cima de cristais,
Cobertos por águas limpas;
E num vôo marítimo,
Ando entre corais dourados, algas verdes e transparentes,
Que balançam suavemente acariciando meu espírito.
Talvez você não possa ver nem ouvir o que sinto;
Mas é bom demais sentir que posso fluir,
Entre corais e estrelas do mar;
Embora saiba que os tubarões tentem me devorar.
Vou me esquivando,
Deslizando entre as ondas e algas macias,
Que deixam transparecer finos raios de sol.
E vou por aí.
Quando a noite chega deixo que os tubarões,
Vejam em meus olhos os reflexos da lua,
E perplexos param comovidos,
Com os mistérios ocultos,
Entre o céu, a lua, o mar e eu.
É bom saber que sou um ser único
Tão diferente dos outros, que posso sentir essa emoção,
Mesmo não sabendo mergulhar.
Muitos mergulham no mar e nem notam
Que ali existem outros seres
Que simplesmente bailam entre cristais corais e algas,
Mesmo que imaginários,
Assim como a minha alma sonha com a liberdade,
Para alcançar o infinito.
É assim, a alma de um poeta.

Lili Ribeiro

quarta-feira, 31 de outubro de 2007

Conflito

Conflito

Conflito medo e angústia
São as coisas mais comuns
Que vimos nos dias de hoje.
As pessoas passam apressadas
Umas pelas outras
E nem fazem questão alguma de conhecerem-se.
E só desconfiança solidão e muito medo
Isto se tornou normal nos tempos atuais
Às vezes tenho a impressão
De que somos obrigados a sermos assim
Pois um gesto de afeto ou carinho
Tornou-se ultrapassado
Pobre de nós quando pensamos assim
Tornamos-nos hipócritas
Ao pensarmos que somos capazes
De vivermos entre tantos e sós ao mesmo tempo
A solidão assistida pelo medo
Com o tempo nos leva a depressão
Que por sua vez nos oprime
E nos sufoca trazendo pânico
E nos escondendo uns dos outros
Cada vez mais
Vivemos na cidade, vivemos na selva.
Feito bichos, meio gente.

Lili Ribeiro
03/08/07

Beijo na Chuva

Beijo na Chuva


Ao entardecer depois de um dia tranqüilo
Vejo as ondas lambendo as pedras na praia
Prenúncio de mais uma noite que chega
Ofuscando a luz de mais um dia
De saudade de ti
Olho as aves se acomodando em seus ninhos
Para mais uma noite de descanso.
Pobre de mim que aqui fiquei
A admirar as ondas do mar
Mais uma vez a noite adormece
A maresia parece mais forte
No céu as nuvens mudam a cor
E se juntam para mais uma madrugada de chuva.
Ainda te espero,
Hoje você vem
Sinto seu perfume,seu calor
Você está chegando
Sinto seu corpo junto ao meu;
A chuva começa a cair
E entre abraços
Sinto seu beijo molhado
Por gôtas de cristais que se formam
Em nossas bôcas
Enfeitando o beijo tão esperado
Obeijo molhado pela chuva
Sob os aplausos das ondas do mar.


Lili Ribeiro

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

Falo

Falo

Falo!
De um coração triste
Que não quer calar
Falo!
E de tanto que já falei
Já não quero mais falar
Mas falo,
Falo sempre que posso
Emudecer não vou jamais
Pois seria até mesmo
Pior que a morte.
Quem sabe um dia por sorte
A voz que do meu peito salta
Embale a sorte
De ser ouvida aqui, no céu ou no norte.
Um dia talvez eu não queira mais falar
Mas ainda hoje preciso e vou falar.
Incomodo a alguns eu bem sei,
Que sonham,
Com o silencio dos meus sonhos
Calando a minha voz
Embalando-a com musica fúnebre
Silenciando-me com a morte.
Mas hoje eu falo.
Falo das mazelas dos castelos;
Pura ilusão!
Falo da fartura da mesa vazia.
Falo por poesia fluindo feito notas musicais
Falo de um tempo que com o tempo ficou para trás
Falo de nós dois, que já não somos mais.
Falo de um dia que verei o amor fluir
Feito borbulhas nas nascentes de águas frescas
Falo!
Do que não pode morrer.
Calo-me,
Quando olho pra você e vejo-te falando tanta coisa,
E engasgando o que quer me dizer.
Lili Ribeiro
15/04/07

Só Mais Uma Vez

Só Mais Uma Vez

Mais uma vez
Abraça-me
Mais uma vez
Toma-me
Mais uma vez
Enxugue-me às lágrimas
Mais uma vez
Adormeça em meus braços
Mais uma vez
Deixe o seu corpo descansar sobre o meu
Mais uma vez
Deixe-me sentir sua respiração em meu peito
Deixe-me sentir o cheiro do seu amor,
Brotar pelos seus poros.
Só mais uma vez
Olhe em meus olhos e colha deles
O amor que eu tenho para te dar
Só mais uma vez
Aqueça-me com a sua pele.
Apenas hoje
Fique até mais tarde,
Enrolado em meus lençóis.
Só mais uma vez
Antes que te vás
Diga que me amou
E que o tempo que aqui ficou
Não me enganou.
Apenas hoje, diga que me amou.
E que o tempo que aqui ficou não foi perdido
E que lá no fundo
Por ti, eu não serei esquecida.
Apenas por hoje
Só mais uma vez
Diga que me amou...

Lili Ribeiro
29/03/07

domingo, 21 de outubro de 2007

TE QUERO

Te Quero

Das montanhas te observava
Caminhavas tranqüilo
Sobre pedras lisas,
A margem do riacho
Estavas lindo!
Seus cabelos esvoaçando ao vento
Com lindos reflexos coloridos
Ao pôr- do- sol
Seus pés descalços, molhados.
Cantarolavas suavemente,
Uma música bonita!
E vagarosamente as montanhas subistes
Desci as pressas para te encontrar
Ali parei, diante de ti.
Te chamei de meu
Meu homem, meu tudo,
Meu todo meu;
Meu amado Venha,
Que logo a chuva começa a cair;
Tem uma choupana
Que nos espera,
Um chá quente,
Uma lareira...

Lili Ribeiro

terça-feira, 16 de outubro de 2007

................! De Um Tempo

DE UM TEMPO


Aquele rio não era tão bonito quanto o pintei
E as cobras não eram venenosas.
O morro não era tão alto
E o gato não morreu.
Ele ainda está vivo , mas continua doente.
Aquele adeus foi real .
Os ciganos foram embora.
E a lágrima cessou.
O demônio está preso no acordeom
E a galinha ninguém comeu.
O cachorro nadou até sair da água.
O sorriso era deboche.
O aceno de mão foi inocente,
Mas a coça que a vida me deu doeu demais.
Aquela estrada não era tão longa
Nem tão larga.
Na nascente ainda brota água.
A mata que já não era tão tenra
Quase não existe mais.
A estrada é só uma trilha,
A floresta só arbustos,
A areia era branca demais!
A cobra era vermelha e preta sim!.
A lua continua bela e no mesmo lugar,
Mas seu brilho é menor
Porque o campo virou cidade.
VIDA: É nome Dela que está deixando de viver.
Os frutos eram verdes e viçosos,
Mas a árvore foi arrancada;
Meu coração chora ao vê-los murcharem
E não posso fazer nada para mudar este quadro
Não vejo saída por enquanto;
O túnel está escuro ,
A janela está fechada
Mas o céu está aberto
E as estrelas continuam a brilhar.
O amanhã há de acontecer
A cortina há de abrir
E a platéia há de aplaudir
O palhaço está triste, mas ainda não morreu.
VITÓRIA; Há de ser o nome da mulher
Que espero para nascer.

Lili Ribeiro

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

Bem Vinda Noite

Bem-vinda Noite

Tarde da noite vou ao jardim
Paro e olho para o céu,
À noite está escura demais.
Não há estrelas e de negro se veste a noite
Tão fria e frágil.
Parece que o céu se escondeu,
Morcegos abusados cortam as árvores
Com seus vôos rasantes
E mergulham na escuridão.
Uma noite sem brilho que espera talvez a chuva
A chuva que vai preparar a terra para um novo semear.
Acolher a semente que o morcego trouxe
E logo se transformara em flores e frutos.
Pra matar a fome dos pássaros e dos homens.
Bem-vinda noite, bem-vinda chuva.
E bem-vindo o fruto.
Bem-vindo seja o dia que nascer depois desta noite
Que beijado será pela chuva que Deus dá;
Bendita noite que comigo está
Bendito vento que a chuva trás.
Ajoelho e oro, agradeço a Deus,
Pelos anjos que não vejo, mas sinto que aqui estão.
Enviados por Ele, guardando a terra, a vida.
E o sol que há de nascer depois da noite, depois da chuva.
E com a chuva o chão coberto de verde e de flores;
Depois à noite, depois a chuva, depois o vento, um outro dia...!

Lili Ribeiro
15/04/07

Uma Só Vida

Uma só vida.

Fala-me das flores, mas não me fala das dores.
Conta-me suas vitórias e esqueça as tuas derrotas
Pintas o céu de azul ou da cor das rosas
Mas não o deixe tão cinzento
Igual às noites de inverno
Nas quais me deixastes sozinha
Crie um caminho e entre mata à dentro
Traga as pedras preciosas e deixe as pedras brutas
Não questione o sol nem chame à chuva
Pare um pouco e olhe à lua
Veja que ela não é só sua
Pois todos a vêem lá da rua.
Traga-me um porto
Mesmo que não seja tão seguro
Traga-me às noites frescas de outrora
E os sonhos que em mim deixei morrer
Faça-os renascer
Para que eles fluam feito às marés
Batendo nas rochas
Trazendo conchas multicoloridas
Pra encantar de novo a vida
A sua
A minha
As nossas vidas que juntas formam
Uma só vida!

Lili Ribeiro
02/09/07

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

Doce Amor

Doce Amor

Olhando em seus olhos
Posso contemplar à tua alma risonha
Felicitando-me pela minha chegada
De mais um dia de saudade de ti
Doce amor da minha vida
Onde eu estiver, mesmo que seja.
Do outro lado do mundo
Qualquer revoada de pássaros
Ou um canto de sereia
Qualquer coisa que brilhe à meia noite
Ou a qualquer hora do dia
Sempre me lembrará a alma encantadora
Que a menina dos seus olhos me deixa ver
Doce encanto dos meus sonhos
Se soubesses o quanto te amo
Com certeza não me deixarias
A te esperar por tantos dias
Pra contemplar toda magia
Que o seu sorriso irradia
Doce sol de primavera
Quem me dera tivesse em meu poder
Tomar-te e afogar-te em meus beijos
Em todo o instante em que eu quiser
E em todo inverno que chegar
Nos meus braços te tomar
Pra fazer verão como às andorinhas
Voando para o norte e lá ter à sorte
De colher os frutos que tu trazes no outono
E contigo, fazer revoadas feito elas.
Darmos risadas de prazeres
Delinear teus lábios com minha língua.
E deixar teus cabelos em desalinho
Com tantos dos meus carinhos
Doce amor, fica, por favor!
E não me deixes mais partir
Fico a me ferir cada vez que tenho que ir.

Lili Ribeiro

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

Todo Amor Que Houver Nesta Vida

Todo Amor Que Houver Nesta Vida

Quando lembro das decadências dos homens fortes
Os líderes desmoronarem dos seus castelos
Penso na impotência, no momento da queda.
Remorso talvez tenha, mas de que adianta?
O tempo não volta e consertar um erro nem sempre é possível
Vai-se a esperança de um povo ou o que resta dele
Na fumaça dos escombros,
Perdidas ilusões de uma nação mal conduzida.
Que paga o preço mais alto possível,
Vendo seus filhos ainda tão jovens
Dar a sua vida por uma pátria que guerreia
E derrama o sangue de inocentes que não pediram a guerra
Mas são obrigados a manchar de vermelho o chão
Onde deveria ali,
Plantar o seu sustento
Paga o nobre.
Paga o rico, paga o pobre.
É infeliz quem manda o míssil
E mais ainda quem o recebe.
Tola ilusão de poder domina o homem.
Que leva a fome a desgraça e a morte.
Triste sorte de um povo que não vê saída
Se não pedir a Deus, que leve o bom senso aos corações.
Dos líderes destas nações,
Para que em vez de guerra façam-se a paz.
Em vez de sangue nos campos,
Haja o pão.
Em vez de canhões.
Haja flores.
E que abunde em seus corações,
Todo amor que houver nesta vida.
Para que reine a paz.

Lili Ribeiro
03/06/07

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

Quem Sou Eu

Quem Sou Eu?

Eu sou a ilha que se perdeu no mar
Eu sou a rosa que murchou ainda em botão
E sou a praia deserta habitada por pássaros silvestres
Eu sou o alvorecer de um novo dia
Eu sou a lua cheia, a lua de prata.
Eu sou o néctar das flores
Que o beija-flor não colheu
Eu sou a chuva que cai de mansinho
Preparando a terra para um novo semear
Eu sou a fruta que caiu da árvore e ninguém comeu
Eu sou o suspiro dos ventos e a bruma que esconde a noite
Eu sou como os faróis acesos dos carros desgovernados
Eu sou a pedra bruta que ainda não foi lapidada
Eu sou o orvalho
Eu sou a semente
Eu sou a erva que cura e a erva que mata
Eu sou o sal.
Eu sou os dois lados da rua que você não cruzou.
Eu sou a gaivota, e a asa delta.
Eu sou o gavião
Eu sou a gralha.
Eu sou assim,
Sou como o rio, mas sou o mar.
Eu sou a borboleta que você viu voar
Eu sou como as crianças que riem logo depois de chorar
Eu sou como o vento leve, que acaricia sua pele, delicadamente.
Eu sou o cheiro da terra
Eu sou a estrada deserta, que muitos têm medo de atravessar.
Eu sou como o vinho suave,
Degustado em frente à lareira numa noite de inverno
Eu sou a chave mestra que desvenda os segredos
Eu sou como a lava de um vulcão
Sou a imensidão.
Eu sou assim,
Um mistério que ninguém pode desvendar.

Lili Ribeiro

terça-feira, 18 de setembro de 2007

fala-me de Ti

Fala-me de Ti

Fala-me de ti
Mande notícias.
Se faz sol, se faz calor.
No meu coração
Sempre haverá lugar para o seu amor.
Fala-me de ti,
Meu inesquecível e grande amor
Por onde andas e o que pretendes?
Volta pro seu ninho
Meu querido beija-flor.
Fala-me de ti,
Conta-me que sentes saudades
E que contas às estrelas
Como aos minutos que me afastam de ti.
Fala-me de ti,
Conta-me as historias que sonhou
E não viveu;
Conta-me os seus sonhos,
Onde para ti eu me entreguei
Manda-me notícias da maneira que quiser;
Mande um pombo branco
Ou de qualquer outra cor,
Nem mesmo me importo
Se por um cisne ou beija-flor.
Mas mande me dizer
Que está voltando,
Até mesmo nas asas de um condor.

Lili Ribeiro
16/06/07

Mais Uma Taça

Mais uma taça

Ergo a taça, sobe o vinho.
Brindo à vida, brindo à sorte.
Mais um gole de mágoas
Mais uma taça de lágrimas
Que você deixou derramar.
Brindemos à vida, com taças amargas.
Brindemos à sorte
Que mesmo engasgada desce gelada.
Esta incerteza.
Aceitar-te ou não?
Degustar mais um gole da tua invasão.
Aceita-la ou joga-la ao chão?
Eis a questão.
Se vida estiver,
Brindemo-la então.
Brindemos à vida!
Sufocando-a com mais uma taça de ti.
Embriago-me convicto
Que sou fraco aos teus sentidos.

Lili Ribeiro
06/07/07

nesta noite

Nesta noite

Acaricia-me nesta noite de inverno
Com o calor do seu corpo
Deixe-me sentir seus braços a me aquecer
E o aroma do seu perfume invadir todo o ar
Nos lençóis macios me deite suavemente
Com seus beijos ardentes.
Cubra o meu corpo com o seu
Aqueça-me com suas mãos,
Deslizando suavemente por toda a minha derme
Até chegar ao meu pé.
Depois me cheire.
Sinta o meu perfume em harmonia com o seu
Façamos desta noite
A mais sublime das noites
Onde os amantes se entregam
E se amam com a intensidade
E desfrutemo-nos,
Do prazer de domar e possuir
Um ao outro.
No mais puro ato de amar.

LiliRibeiro
26/07/07

quarta-feira, 12 de setembro de 2007

Rio Que Te Quero Lindo

Rio que te quero lindo!

Em todas às suas luas e suas marés
Teus montes e teus vales
Tuas planícies e tuas praças
A de Olavo, e de tantos outros.
Escritores.
Monumentos gigantes
Corcovado e sua mata
A nossa mata, floresta da Tijuca.
Arpoador, ao pôr-do-sol.
E seus raios dourados sobre o mar.
Copacabana, princesinha na aurora.
Á me acordar.
Rua do ouvidor e seus cafés nos tempos
De outrora
Meu Rio, de tantas vitórias.
E ainda hoje brilha entre tantas outras
De outros Césares.
Meu Rio que te quero livre
De tantos filhos seus, morando em calçadas.
De seus velhos, dormindo nas filas dos hospitais.
Meu Rio, que te quero ver do Pão- de- Açúcar.
Até ao pico da Tijuca, sem lamentar as baixas.
Pelas balas perdidas
Balas no asfalto, as que vêm do alto.
Ou não!
Rio, que te quero livre de tantos pés descalços.
Rio, que te quero lindo!
Com as praças cheias de estudantes
A caminho da escola.
Rio, que te quero livre de tantas bocas vazias.
Sem ter o que engolir ou agradecer
Largo da Carioca e de São Francisco
Sem tanto lixo.
Praça Tiradentes, com tanta gente, (sem eles.).
Dormindo ao relento e olhando para o alto.
De lá, as estrelas brilham e contemplam.
A beleza deste Rio, com suas mazelas e queixas.
As suas praias e gueixas.
As noites cariocas e seus risos
As favelas, mata à dentro, matando lá dentro.
Ou morrendo?
Crescendo e crescendo!
Rio, que te quero rindo.
Ver à lua contemplando, o cristo, que contempla,
Mais um César,
Caindo!

Lili Ribeiro

As Coisas Simples Que Não se Contam

As coisas simples que não contam

Eu queria que o mundo parasse
Pelo menos uma hora por dia
Para eu fugir daqui só um pouquinho
Correr pra bem longe e buscar os abraços
Que deixei lá longe do outro lado do tempo
As horas voam e eu me perco com tantas coisas
Que nem são minhas
Ai, quanta saudade daquela vidinha,
Que eu tinha.
Andava sozinha e nem sentia falta de ninguém
Pois eu os tinha.
Agora não tenho mais a minha tão simples vidinha.
E nem sou mais tão minha
Não acho tempo pra ficar comigo
As horas correm e o tempo passa.
E eu não tenho as horas que eu tinha,
Pra ser só minha.
E ganhar aqueles simples abraços
Que eu nem me importava tanto com eles
Pois eu sabia que eram meus.
E eles não pareciam tão importantes assim
Eu queria só um tempo
Roubar algumas horas
Desse mundo turbulento em que vivo
Pra buscar aquelas alegrias
Que antes nem pareciam me fazer tão feliz
Pois na verdade o que nos faz feliz
São as coisas mais simples
Que quase não nos custam nada
Mas quão caras são,
Quando as perdemos.

Lilli Ribeiro
03/08/07

Uma só Vida

Uma só vida.

Fala-me das flores, mas não me fala das dores.
Conta-me suas vitórias e esqueça as tuas derrotas
Pintas o céu de azul ou da cor das rosas
Mas não o deixe tão cinzento
Igual às noites de inverno
Nas quais me deixastes sozinha
Crie um caminho e entre mata à dentro
Traga as pedras preciosas e deixe as pedras brutas
Não questione o sol nem chame à chuva
Pare um pouco e olhe à lua
Veja que ela não é só sua
Pois todos a vêem lá da rua.
Traga-me um porto
Mesmo que não seja tão seguro
Traga-me às noites frescas de outrora
E os sonhos que em mim deixei morrer
Faça-os renascer
Para que eles fluam feito às marés
Batendo nas rochas
Trazendo conchas multicoloridas
Pra encantar de novo a vida
A sua
A minha
As nossas vidas que juntas formam
Uma só vida!

Lili Ribeiro
02/09/07

quinta-feira, 6 de setembro de 2007

valsa dos sonhos

Valsa dos sonhos

No delírio dos meus sonhos
Vejo-te cada vez mais perto
Não sei onde estais
Mas sinto-te aqui
Nos meus sonhos, vejo-te sorrindo.
Sempre em frente de braços abertos.
Pronto para acolher-me dentro deles
Teus olhos negros como a noite
Trazem o brilho de um diamante raro
E no imaginário dos meus sonhos
Viajo pelo céu numa noite de estrelas
Tantas delas num negro véu cintilante
Coberto por muitos destes diamantes.
Entrego-me em seus braços
E valsamos com a melodia dos anjos
Que observam e guardam,
O nosso eterno enamorar.
E bailamos noite afora
Entoando um soneto de felicidade
Que encanta os meus sonhos.
Por mais absurdo que seja,
Sempre haverá você,
Em todas as noites da minha vida.
As recordações que tenho de ti
Fazem-me viver em plena sintonia
Com o invisível e o irreal
E sempre que posso,
Vivo estes sonhos e delírios.
E trago-te para valsarmos nas noites
Cintilantes entre estrelas diamantes
Até o romper da aurora.
Com o canto dos pássaros
A nos acordar.

Lili Ribeiro
29/07/07

Anna Beatriz

Anna Beatriz

A namoradinha da família
Nana neném a todo instante
Nascida nesta casa
A nossa vida encantou

Belíssima,
E charmosinha
Aninha
Toda é prosa
Risonha e rosinha
Inquieta e gulosinha
Zangadinha, mas gostosinha!

Lili Ribeiro

05/06/06

Pelas Ruas

Pelas ruas

Pelas praças, muitas delas.
Pés descalços
Parecem sem pátria.
Sofrendo ao relento
As mães que amamentam.
Com seus seios vazios
E o coração cheio de dores.
A dor que cobra
Uma só razão para viver.
O dia amanhece e um pouco mais adormece.
E nada...! Nada acontece.
O mesmo olhar perdido,
Das crianças esquecidas,
Repete-se;
Algumas choram e outras, apenas fitam,
O raio da luz de mais um dia,
Que com o decorrer das horas
Perde-se com as incandescentes.
Outras se calam...
E esperam.
Mas esperar por quem e por quê?
Se o amanhã não vem!
O presente é sempre o mesmo tempo, presente.
Um dia após outro
Com os olhares perdidos no horizonte.
Mas que horizonte?
Se o tempo presente não vê futuro?
As pessoas sempre vão e voltam,
Elas passam e passam
E elas vêem;
Que elas sempre tem
Um olhar distante
Sempre distante
Um olhar perdido no horizonte.

Lili Ribeiro
06/07/07

Liberdade de pensar

Liberdade de pensar
Pensamento
Liberdade incrível
Cortando por entre as matas
Sem barreiras
E sem fronteiras
Não há escuro
Não há muros
Traz simplesmente a lembrança
De muitos abraços
Pensamentos
Que te traz de tão longe
E te coloca aqui do meu lado
Pensamento
Lento ou rápido
Voando em disparate
Querendo chegar a mil
Com pensamento firme
Chego a afirmar
Que te vi.
Lili Ribeiro

segunda-feira, 3 de setembro de 2007

Paz

Paz
As vezes fico a pensar
Nas pessoas que voam de repente,
Nas coisas que fizeram de bom ou de mau
Como seria bom
Se fôssemos sempre sinceros,
Com os outros e com nós mesmos;
Talvez evitássemos
Tristezas futuras para todos
Pois tudo que no fundo desejamos
É Ter paz
E transmitir paz
Porque sem ela
Nada podemos fazer
Ou receber.
Lili Ribeiro

Liberdade

Liberdade
Liberdade
Para voar tão alto
Onde minha imaginação
Puder me levar.
Até alcançar o lume das estrelas
E penetrar no infinito
Pra subir na mais alta montanha.
E de lá poder gritar,
Soltar meu grito,
Sem dizer nada
Simplesmente gritar
Gritar tão alto
Pra fazer me ouvir
Em toda a extensão da terra
Acordar os pássaros
Agitar todas as águas.
Pois sou potente.
Sou livre.
Livre para o amor,
Livre para sonhar,
Livre para alcançar todas as dádivas
As que me forem concedidas
Livre dos conflitos dos preconceitos
Pra sentir emoções, paixões, gratidão
Pra sentir o vento,
Pra sentir o sol, a chuva
Pra expulsar o medo
Liberdade,
Pra resgatar a vida
Que esvaindo aos poucos se vai
Pra sair, voltar, gritar, sentir,
Viver, amar buscar;
Liberdade,
Pra dizer simplesmente,
Eu te amo
Liberdade!

Lili Ribeiro

Fuga

FUGA
Depois da chuva ,o sol desponta no horizonte.
A calmaria de uma tímida manhã
É interrompida por tiros ensurdecedores,
Disparados por alguns homens
De dentro de um carro,
Que passou em alta velocidade.
Pânico a seguir de fuga;
Encostando em um muro, ando as pressas
Tentando não ser vista.
De repente a calçada parece menor
Me sinto espremida pelos muros
Ando rápido sem olhar para trás;
A rua se fecha em túnel.
Parece não haver saída
Olhando para o alto tento ver o céu,
Mas que céu? Não há céu!
Vejo apenas uma cavidade escura
Coberta por um manto negro
E sem opção me envolvo neste manto
Tentado me esconder
Mas me esconder de que?
Nem os tiros ouço mais;
E como se mágica fosse
O manto negro se abre
E me vejo em meio a um fio de claridade
Num instante um pesadelo
Que em sonho se transforma
E parece real.
Uma nova terra surge
Uma densa floresta em meio á montanha,
Posso ver e sentir o cheiro da terra úmida
Pela chuva mansa que cai suavemente;
Levo meu olhar ao longe
Mas pouco posso ver
Pois as árvores
Começam a se esconder
Na bruma que se aproxima.
Ando nas trilhas encontradas
Que não me levam a lugar algum
E cansada me ponho a reclamar.
Depois de muito andar cheguei a uma casa
Que mais parecia ter saído
De um conto de fadas
Tão acolhedora e quente
Com móveis antigos e mesa de cristal
E ando por toda casa, procurando à saída
E ainda sem paciência
Continuo a reclamar.
Uma voz mansa me chama;
Parecendo fada de tão bonita a senhora
Com um gesto feito
Com indicador na frente da boca
Pede para eu me calar
Me oferece bolinhos de arroz
E caminha ao meu lado em silêncio.
Já não reclamo nem murmuro,
Apenas ouço o silêncio daquele lugar;
E cansada de procurar a saída
Eis que surge um senhor
De barba e cabelos brancos;
E mais calma posso admirar
O sorriso doce de um ancião,
Que calmamente estende a mão,
Anunciando à saída.
E logo vejo a minha frente
Uma porta frágil
Com vidraças limpas
Generosamente aberta.
A bruma continua
Mas já posso ver à saída
E num sonho perfumado
Subo a montanha;
Do alto,
Avisto o mar, a cidade ao longe,
Ainda sigo a trilha,
Agora coberta
Por pétalas de rosas vermelhas
Ainda não está bem claro
Não vejo o mar tão azul
Mas no horizonte já está brotando o sol
E logo um arco-íris começa a surgir.
Lili Ribeiro

Janelas do Tempo

JANELAS DO TEMPO

Quando jovem, sonhei com um futuro bom.
E corri tanto para realizar meus sonhos!
Chorei, desejei, xinguei, busquei tanta coisa;
Atirei pedras e muitas delas colhi.
Cavei a vida com as mãos
Os buracos ainda estão lá
Colhi flores, sem querer guardei os espinhos.
Porque as pétalas murcharam cedo demais
Hoje, com o passar do tempo, sinto que já
Não tenho tanto tempo. E o tempo me falta
Até para ver o tempo que se vai
Já não paro para olhar o céu
A lua que em todas as fases sempre me encantou
Eu já nem a noto mais
A que mais me chama a atenção é a lua cheia
Como é linda e misteriosa!
Lembro-me que muitas vezes me perguntei
Pelas histórias que ela presenciou
Quantas verdades e mentiras ela silenciou
Durante algum tempo ao amanhecer e ver
As folhas orvalhadas eu dizia: “Hoje a lua chorou!”.
De quem será a história que mais uma vez ela ocultou?
Sempre que posso tento perguntar para as estrelas se elas
Também sabem os segredos que a lua guardou.
Hoje penso no tempo que se foi com saudade
Quantos abraços!
Quantos amigos que jamais abraçarei novamente
Tantas marcas de feridas,
Cicatrizes que não somem feito tatuagem enrustida,
Tatuagem curtida, na pele seca envelhecida pelo tempo.
O tempo que passei olhando da janela,
Janela da alma.
Janelas entreabertas.
Janelas fechadas que por falta de tempo não abri
Às vezes fico a me perguntar o que teria por trás delas.
Um vasto jardim, Uma montanha de pedras, Não sei.
Mas gostaria de tê-las aberto. Gostaria de ter cruzado o jardim
Gostaria de ter escalado a montanha de pedra
Talvez encontrasse água fresca no final da escalada.
Janelas que não abri, jamais irei saber o que teria por trás delas.
O tempo a cada dia se faz menor
Não quero contar janelas, nem o tempo.
Mas se alguma janela ainda tiver para abrir, irei abri-la.
Para desvendar os segredos da minha vida, das nossas vidas!
Quero buscar o que tem do outro lado dela,
As alegrias dos meus amigos
Se for preciso ajudá-los a desvendar seus segredos
E abrirem suas próprias janelas.
Sejam elas de castelos, barracos ou senzalas, não importa.
Pois na minha vida tive todas elas
Não sei qual delas mais me assustou, se as dos castelos ou das senzalas.
Porém, sei que muitas ficaram fechadas e que o tempo não mais me permitirá abri-las.
Mas virão outras janelas e ainda não sei o que haverá do outro lado delas.
Janelas do passado, fechadas e abertas,
Janelas que vivi e deixei de viver.
Janelas do futuro que irei abri-las ou não
O tempo irá dizer.
Janelas dos segredos que irei ou não contar para a lua
Janelas entreabertas, as janelas da indecisão.
Janelas fechadas. Segredos ocultos ou medo?
Janelas abertas, janelas da vida que o tempo irá fechar ou não.

Lili Ribeiro

quarta-feira, 29 de agosto de 2007

Saudade e Sangue

Saudade e Sangue

Os dias parecem não querer passar
A saudade aumenta com o decorrer das horas
Você não manda notícias
O seu perfume ainda paira no ar
Até quando terei que esperar?
Os dias vão, os dias vem
Mas você não;
Procuro conforto e preencho o vazio
Que você deixou
Com as lembranças dos seus abraços,
Dos seus beijos
Que ainda estão cravados em meu coração
Como se fosse por punhal ferido de morte
E sangra e molha os olhos com gotas quentes
Do sangue que jorra
Manchando e empalidecendo-me a face
Quase me desfaleço por ti
Mas retomo as forças, preciso te esperar.
Volta meu amor
Vota com a chuva
Volta com o vento
Volta com a lua
Mas volta meu amor
Volta pra nos dois.

Lili Ribeiro

Repousar

Repousar
Ando entre pedras
Grande quantidade delas,
Muitas pedras.
O caminho é longo
Numa trilha arenosa.
E o vento quando sopra, é tempestade.
Tempestade de areia
Ao lado da trilha passa um rio
Um manancial de águas claras
Mas não posso tocá-lo.
Sinto-me cansada, cansada demais.
Andando na trilha, admiro as flores.
Elas estão logo ali
Mas não são para mim
Do outro lado da margem tem lírios e tulipas
Mas na trilha tem pedrinhas, pedras grandes.
E de todo tamanho
Pedras verdes, brancas e amarelas, muitas delas.
E os cristais que vem do céu, se banham nas águas.
O sol que brilha me ilumina e me traz calor
Que me da vida e me traz coragem
Pra continuar entre as pedras e na trilha caminhar
Até chegar a margem do rio e mergulhar
Pra refrescar a alma
E descansar os pés
Que calejados estão
Da vida, da poeira, da tempestade de areia.
Que se junta ao suor do meu corpo e se funde
E arranha e corta o coração
Que chora e sangra
E mergulhando ali
Refresco-me
E vou,
Feito borboleta
Voando... Voando... Voando!
Repousar.

Li li Ribeiro

Amo à Ti Senhor

AMO A TI SENHOR
Senhor
Tu que habitas o céu
E conheces toda a extensão da terra
E tudo que nela há
Tu és o Deus que eu amo!
Senhor
Tu que conheces os segredos dos mares
Conhece os caminhos dos ventos
E podes contar cada gota de orvalho
Derramada numa noite,
Em toda a extensão da terra,
Tu és o Deus que me sondas
E conheces o meu coração
Senhor
Tu que podes contar cada grão de areia
E a cada folha de todas as árvores
Cuidas dos meus sonhos,
Cuida da minha alma
Olhe pela minha família,
Conta para eles, que eu os amo.
Senhor
Tu que sustenta as aves
E toda a carne da terra
Tu és o Deus que me sustem
Tu és o Deus que pinta
Todas as pétalas das flores e
Cortas os leitos dos rios.
Tu és o Deus que me ama
Senhor
Tu és o Deus que sustenta o abatido
E abate o desbravador,
Tu és o Deus que invades as trevas
E trazes a luz
Pois tu és a luz
Tu és o Deus que resgata
As almas do inferno
Trazendo-as a verdade.
Tu és o meu Deus
O Deus que me ama
Tu és o Deus que eu amo!!!
Amém.
Lili Ribeiro

Miragem

Miragem
Diante de um plácido rio
Eu estava
Quando tu caminhavas
Em minha direção
No reflexo das águas
Vi seu rosto resplandecendo,
Como num espelho
Tão nítida a imagem
Que parecia ser miragem
Que lindo milagre!
Que longa viagem!
Assim, eu te busco
Do teu infinito silêncio
No teu esconderijo mais que oculto
Muito distante
E somente através destas plácidas águas
Posso te possuir
Imaginando seu corpo nu
Se aproximando
Pisando este imenso tapete verde
Que a natureza tece
Não! Não toque nesta água,
Não a turve
Deixe-me ver
Teu corpo se aproximando
Me tocando ao relento
Neste finalzinho de lua
Deixe-me tocar seu corpo
Te possuir
Sentir tua mão atrevida
Me buscando, me possuindo
Na beira deste rio.
Não! Não! O vento sopra a água
Tua imagem não é mais a mesma
Está indo, que saudade
Quanta falta me faz
Nem podes imaginar
O gélido vazio que deixastes
Mas eu tenho este plácido rio
Eu tenho esta saudade
Que pôr alguns segundos
Me faz sonhar,
Com a sua volta.
Lili Ribeiro

Saudade da Infância

saudade da Infância
Estou tentando fugir
Quem sabe de algum credor!
Estou buscando prazer
Em algo abstrato
Quem sabe me iludindo
Com alguma promessa.
A tal promessa que eu acreditei,
Hoje só lembrança,
Só saudade.
Saudade de quem mais?
Daquele presidente que se foi?
Do dinheiro que tive ontem?
Ou daquela cor morena que contou nove pontos?
Sim! Porque dez conto eu.
Saudade do sorvete da Bahia,
Ou da bala de menta que acabou?
Saudade da minha infância!
Da bolada na vidraça da janela da vizinha,
Quanto palavrão!
Quanta praga!
Criança imbecil
Vá jogar bola na...
Casa da mamãe, casa da vovó.
Bolinho de fubá, bolinho de araruta
Devorava quase tudo
Como ela reclamava:
Sai pra lá seu...
Filho da madrinha,
Que malandro!
Roubava sempre meus chocolates
Bem feito, no fim do dia
Estava com piriri
Merda rala,
Vitamina de abacate
Era o que Luzia mais gostava
Na jaqueira tinha noiva meia noite
Dona Dadá, essa adorava andar sem calças
Dona Dalva, tomava um porre todo dia
Depois que se olhava no espelho.
Pensando bem, acho que estou com saudade
De um chocolate quente,
Igual ao que Dadade fazia
Não, não, pensando bem
Vou tomar um banho no rio!
Lili Ribeiro

Tristeza

Tristeza

Hoje o dia amanheceu meio chuvoso
Parecendo um desses dias intermináveis
Que custam a passar
Olhei da janela com certa preguiça
Com vontade de voltar ao sono que antes eu estava
Depois de um gole de café amargo
Vesti um agasalho e fui ao jardim
E para minha surpresa as flores pareciam sorrir
Ainda orvalhadas estavam
E um doce perfume exalava
Olhei para o céu
E lá ainda estava parecendo já meio cansada
Uma lua de prata
O sol estava com preguiça de aparecer
Aos pouco foi perdendo a timidez
E como se quisesse cumprimentar-me
Abriu seu brilho ofertando-me o seu calor
Que bela manhã se tornou
Tirou-me a tristeza abriu meu sorriso
Devolveu-me a alegria
Voltei para casa olhei-me no espelho
E disse a mim mesma que tristeza é bobagem
Que ela não existe
É apenas um fantasma tentando ofuscar-nos o brilho.

Li li Ribeiro

Dúvidas

Dúvidas
Sempre que volto aqui ,
Me deparo com as mesmas coisas
E as mesmas lembranças,
Até o seu perfume se faz presente.
Tudo vaga numa sombras de nuvens,
Repletas de dúvidas;
Se ainda estivesse aqui ,
Seria mesmo tão bom como foi antes?
Não sei, talvez fosse ainda melhor;
Mas quem terá de fato estas resposta?
Quem irá limpar este sombreado de dúvidas
Que paira entre nós?
Talvez haja respostas ocultas pela falta de coragem,
De nos confrontarmos com a verdade.
Para apagar o medo de revirarmos as nuvens
E mover as sombras
Para trazer de volta o azul do céu,
Que pairava em nossas vidas.
Lili Ribeiro

As Cores do Tempo

As Cores Tempo
Ai; Que bom seria se o mundo fosse mesmo azul.
De azul se veste o céu e de azul o mar finge ser.
Meu mundo está cinza nesse momento.
Melhor assim, pior seria se tivesse negro.
As vezes finjo que não o vejo tão escuro assim,
E o imagino cor de rosa,
Me visto de brisa e tento até borboletear.
Mas não é tão simples assim;
E logo volto a realidade cinza ,
Chamuscada de tristeza e saudade.
Será que um dia ainda irei pisar,
Na areia da praia, com tempo de admira-la?
Sinto saudade do tempo que eu caminhava ao entardecer
Pisando a areia molhada com pés descalços,
Sentindo á água batendo de mansinho em minhas pernas
Eu admirava a lua, as estrelas
E sentia os respingos da água em meu rosto;
Era muito bom!!!
Lili Ribeiro

Depois do Amor

Depois do Amor
Acordo no meio da noite
E fico a admirar a lua,
As vezes perco o silêncio
Procurando você
Procura inútil
Você não está por perto
Foi pra longe, foi pro norte;
Foi um dia pra não mais voltar
Chamo a ti, chamo a vida
Pra morar comigo
Chamo a brisa, chamo a sorte,
Chamo o norte
Pra te trazer de volta
Trazer a noite, trazer a lua;
Buscar o sol, trazer calor
Deixar o suor
Com cheiro de amor
Deixar saudade
E corpos cansados.
Depois a chuva,
Depois o silêncio,
Nos dois unidos
Como num só corpo
Depois do amor
Pra viver o amor.
Lili Ribeiro

Colhendo Estrlas

Colhendo Estrelas

Sinto que posso flutuar
Pela imensa vastidão celeste
Cruzando as galáxias
Cortando cometas
Bailando feito vento
Em meio às rajadas de águas claras
Que me tocam sem me tocar
Frágil feito borboleta
E forte feito um tufão
Vou cortando a negra noite
Que aos poucos prateada se torna
A cada instante voando mais alto
Fluindo entre as estrelas
Eu vou
Rompendo as barreiras
E penetrando o infinito
Os outros agora parecem longe demais
Vejo as grandes águas, as sombras e as montanhas.
Mas nada me assusta
Vou rompendo por entre as nuvens
Colhendo estrelas
Leve como a brisa
Livre como os sonhos
O caminho eu já conheço
Estou chegando em casa
Estou voltando para Deus

Lili Ribeiro

Águas

Águas
As águas correm rio abaixo suavemente
Levando uma linda canção
Com o cheiro agradável
Das ervas que margeiam seu leito
A brisa envolve toda a relva
E por entre as ramagens passa um fino raio de sol
Que num mergulho invasor
Penetra no oculto do seu fluir
Acordando as delicadas criaturas
E colorindo os pequenos seres viventes
Daquele lugar
O som do silêncio se confunde
Com a calmaria que envolve aquela terra.
Terra e água,
É vida!
Que vida tem e que vida dá.
Sem a água não há vida
Não há terra;
E não haverá história pra contar.
Lili Ribeiro

terça-feira, 28 de agosto de 2007

Contramão

Contramão

Ao nascer do sol,
Gente acordando saindo e chegando
Crianças correndo...
Sorrindo, brincando, estudando
Crianças chorando...
Sofrendo, com fome, cheirando cola, morrendo
Sabado, domingo,
Futebol, piscinão, farofa e hamburgão
Alto da Boa Vista...turista,...
NO LIXÃO se busca o pão
Show na praia ...Copacabana, Arpoador;
O povo canta.
Hospitais sem leitos...
O povo chora, o povo clama
Milhões na praia...Migalhas lá
Crianças mínguam, crianças más
Dia de sol, praia...
Gente saindo, gente chegando
Gente sumindo, gente surfando
Bolsa caindo, coca subindo...,
O morro, vielas, ruas e avenidas
Barracos, casebres, mansões
Todos!
Invadidos por ela
Miseria...Carnaval...
Absurdo, imoral.
A fome o carnaval?
Transito infernal...sangue manchando o asfalto
Bala perdida, Atropelamento,colisão
Não importa!
Está quente demais!
O fim de semana apenas começou
Gente chegando, gente que vai
A estrada que leva é a mesma que traz
A vida em mão dupla
sempre pra frente sempre pra trás.

Lili Ribeir

sábado, 25 de agosto de 2007

Caminho do Vento

Caminho do Vento


Quando ouço o sussurro das águas
Penso no que seria delas sem a existência dos ventos
Na calmaria de um manancial, inerte,
Parecendo sem vida.
O toque dos ventos se faz presente nas águas,
Fazendo calmas ondas ou tempestuosas torrentes;
E levam águas calmas para abrandar a sede
Ou enormes correntezas
Destruindo o que encontrar em sua frente
O homem se parece com o vento
Pode transmitir paz ou tira-la,
Isso depende de onde ele nasce.
Para não entrar em uma tormenta,
Aprenda a observar o vento.

Lili Ribeiro

Caminhos Vazios

Caminhos Vazios
Estou caminhando cansada
E meu olhar cada vez mais baixo
Com tristeza chego a lugares
Onde tudo lembra o nosso passado
Meus pés se acostumaram
Com seus caminhos
Mas tu não passas mais por eles
Me sinto inquieta e triste
Olho para trás e meu olhar
Se perde ainda mais
É tudo Tão desajeitado
Já me sinto esgotada
E tudo por culpa da maldade
Ou será que amo a pessoa errada?
Um vento frio me acompanha
Batendo no meu rosto
Esvoaçando meu cabelo
Ai, a saudade é tamanha!
Chego a ter medo quando penso
Que posso andar o mundo inteiro
E não encontrar você
Há! Se você chegasse agora
Tudo seria mais fácil
Pois o que mais quero no momento
É ter você novamente
Aqui do meu lado
Vem!!!
LILI RIBEIRO

Beijo na Chuva

Ao entardecer depois de um dia tranqüilo
Vejo as ondas lambendo as pedras na praia
Prenúncio de mais uma noite que chega
Ofuscando a luz de mais um dia
De saudade de ti
Olho as aves se acomodando em seus ninhos
Para mais uma noite de descanso.
Pobre de mim que aqui fiquei
A admirar as ondas do mar
Mais uma vez a noite adormece
A maresia parece mais forte
No céu as nuvens mudam a cor
E se juntam para mais uma madrugada de chuva.
Ainda te espero,
Hoje você vem
Sinto seu perfume,seu calor
Você está chegando
Sinto seu corpo junto ao meu;
A chuva começa a cair
E entre abraços
Sinto seu beijo molhado
Por gôtas de cristais que se formam
Em nossas bôcas
Enfeitando o beijo tão esperado
Obeijo molhado pela chuva
Sob os aplausos das ondas do mar.
Lili Ribeiro