sábado, 6 de fevereiro de 2016

cintilantes


cintilantes





feito nuvens


sobrepõem meus dias


antes alegres, agora tristes.


fadas passeiam nuas pelos ventos e colhem centenas de estrelas


que fatiadas cintilam a vida.


paradoxal


entre a nuvem e o sol


há neve.






pulverizado de cristais


passeiam lentamente num espaço negro


túneis, vidas escuras


viajando para sempre entre as tempestades celestiais


eu


fada feito bruxa


vislumbro um dia atemporal


em noites tingidas de cinzas em nuances


e nas manhãs


pardais invadem o céu






trazendo esperança em seu canto triste


é assim, de onde nada espero


brota vida e esconde a dor.


Lili Ribeiro Leão.


27/02/2012




segunda-feira, 5 de maio de 2014


                                                            Águas

 
As águas correm rio abaixo suavemente

Levando uma linda canção

Com o cheiro agradável

Das ervas que margeiam seu leito

A brisa envolve toda a relva

E por entre as ramagens passa um fino raio de sol

Que num mergulho invasor

Penetra no oculto do seu fluir

Acordando as delicadas criaturas

E colorindo os pequenos seres viventes

Daquele lugar

O som do silêncio se confunde

Com a calmaria que envolve aquela terra.

Terra e água,

Que vida tem e que vida dá.

Sem a água não há vida

Não há terra;

E não haverá história pra contar.

 

  
                            Lili Ribeiro        

 

segunda-feira, 14 de outubro de 2013


Joia do tempo

 
 
 
Nascemos cobertos de carinhos e logo estamos sozinhos.

Mas aos poucos encontramos vidas que se somam a nossa vida.

Andamos por muitos lugares

Passamos por várias pontes que nos ligam e nos afastam.

 

Atravessamos mares, encontramos amores, ou até mesmo, o amor.

Alguém para multiplicar e receber o que conquistamos

Somo assim, seres crescentes, virtuosos e carentes.

 

Cruzamos o céu, escalamos montanhas... E quantas montanhas!!!

Mas a vida é assim mesmo

Sempre nos trazendo surpresas, horas boas, horas más.

Mas, pouco a pouco nos afastamos do nosso lugar de origem

e começamos a somar lembranças.

Lacunas que nos deixam os nossos entes.

 

Então conhecemos a despedida e as lágrimas banham os nossos olhos.

Com força que arrancamos de dentro de nós

de onde nem sabíamos que existia.

Lutamos contra a dor, até vencê-la.

 

E saímos, casamos, construímos, separamos, recasamos...

tantas alegrias e também, tantos desencontros.

Mas nos vem à esperança novamente quando eles chegam.

Os nossos netos, que benção!

Parece que a vida toma novo rumo e ganhamos mais forças.


 

Então, é hora de procurarmos os amigos.

Mas onde eles estão?

Passamos tanto tempo ocupados com nossas vidas e nem notamos

Que muitos deles também se foram.

Sabíamos sim, que eles estavam indo, mas sempre tínhamos algo a fazer

E mal fazíamos pequenas visitas.

 

Que pena! O tempo passou tão depressa...

Já não encontramos nossos amigos.

Muitos moram com os filhos

Outros mudaram de cidade ou até mesmo de país.

 

E aquela musica que tanto ouvíamos na adolescência?

Tornou-se brega demais e só a ouvimos baixinho.

Nosso vizinho é muito jovem e não entenderia.

Como alguém pode ainda gostar de ouvir isso?

O jornal, a TV, tudo é tão diferente...

 

Hoje quero sair sozinha, vou ao jardim e depois caminhar rumo ao horizonte

Quero olhar para o céu visitar as estrelas e se possível colher uma delas

Ofertá-la a mim, mesma, pois sou joia do tempo

Enriquecida de amor e saudade

E com tudo, não embruteci.

 

Lili Ribeiro-13-07-2011

segunda-feira, 23 de julho de 2012


Conversa de amigas

Ela chegou de mansinho e disse -vamos amassar?

-E eu respondi - vamos sim.

-Então vamos para a cama?

-Claro, me da um abraço

E juntas rolamos para todos os lados da cama e depois cansadas ficamos abraçadas por algum tempo. Logo depois o silêncio foi rompido com aquela voz suave.

-Eu estava com muitas saudades de você.

-Eu também estava, aliás, acho você vem pouco aqui.

-Eu gosto muito dessa casa e de você também. Sabe o que eu tava pensando?

-Não. Conta pra mim.

-É que o Gabriel já é pré- adolescente, eu sou criança e a Camila ainda é um bebê.

-E então...

-O Gabriel, logo vai ser adolescente e eu vou ser pré-adolescente e a Camila vai estar grandinha.

  isso mesmo, as crianças tem que crescer.

-Mas, depois, Gabriel  vai ser jovem e eu adolescente e a Camila pé-adolescente.

É verdade. E eu?

-Você vai ficar velhinha e depois vai pro céu.  Mas vovó, quando você for pro céu, vai de calça jeans, porque eu vou fazer um bilhete e colocar no seu bolso pra você nunca esquecer de mim.

Eu escondi a lágrima que brotou em meus olhos e com a voz um tanto embargada disse: Eu não sei quem vai me vestir para eu ir para o céu e talvez não me vistam numa calça jeans, mas isso não é problema, se eu não estiver vestida num jeans, você coloca o bilhete na minha mão e se você esquecer de colocar o bilhete na minha mão, não faz mal, de qualquer forma eu jamais esquecerei de você.

-Ta bom vovó.

Ficamos abraçadas por mais alguns minutos e depois ela adormeceu tranquila.

Lili Ribeiro Leão

  28/04/20012


quinta-feira, 14 de abril de 2011

Cigana


Andar nas trilhas
Colher flores do campo
juro!
Queria novamente correr por lá.
Sentir o vento batendo em meu rosto
Ser menina feito moça
E encantada com a vida tecer amores.

Mas o tempo não para e parar pra pensar
Nem pensar.
Ficou distante esse tempo.
Um ano a mais e muitos outros ficaram para trás.

Tropeço nas peças que a vida me trouxe.
Juro!
Queria que o tempo voltasse
E que de novo encontrasse
aquela menina de sonho encantado
de cabelos encaracolados
com cheiro de relva
e poeira nos pés.

Ao olhar para o céu
sinto um pouquinho de medo do tempo que me resta a percorrer
Mas tudo hoje é tão rápido se não prestar atenção, não sentirei a chegada.
ou já cheguei?

Lili Ribeiro

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Estrela menina


Estrela menina

Um punhado de estrelas saltitantes enfeita o céu
Um brilho suave burlando a noite
E vim buscar as uvas os doces os chocolates.

Da vida só o prazer e não mais a dor
Um hino suave, uma poesia cantada
Um charme a mais no meu andar de menina madura.

Sou forte, sou lua sou menina e as vezes me perco pelas ruas.
Hora de voltar... Pra que?
Sou assim.

Um pouco levada
Pelos poetas, invejada.
Sorriso farto, vestido largo... Não rejeito um afago
Mas nada que seja exagerado.

Sou menina ainda.
Nada de compromisso, por enquanto só os suspiros.
E se um dia sair da adolescência
Que seja pra ser mulher
Nunca uma coisa qualquer como a maioria dos homens querem.

Ah! Se o tempo parasse e de novo eu voltasse seria pra rir e nunca mais chorar.
Hoje sou assim, facho de luz, estrela assanhada e saltitante
Perdida nesse imenso céu.

Com meu brilho suave vou burlando a noite
Cantando a vida e celebrando a liberdade.
Liberdade! Quanto te quero de verdade.
Lili Ribeiro

domingo, 11 de abril de 2010

Análise





Já não somos mais crianças


e a inocência não nos acompanha.


Labirintos obscuros e tramas.


Ainda nos perseguem.



Das brincadeiras de crianças


Restam poucas lembranças.


Tranças, bonecas, as bolinhas de gudes...


Goma de mascar, bala Juquinha...


Juro! Queria que o tempo voltasse.



E o que tenho?


O que aprendi com o futuro já vivido?


Não sei. Não sei!



Os dias continuam passando


E com o tempo


Somo as horas mortas que não voltam.



Penso, repenso e nada!


Nada de novo se apresenta.



Ansiedade me vem.


afasto-me da vida


mas ela chega-me em breves lembranças


Enfumaçadas nuances...



O tempo. Senhor da razão.


Será?


“Alzheimer” um vazio...


A solidão...


que segue apagando a


-vida-


E do passado


Certo ou errado.


Quem se importa?


A ninguém interessa.



A felicidade


Hoje é só um engano.


Dela, nem saudade.



Lili Ribeiro